"Charcos Temporários: um habitat natural a proteger!"

Os Charcos Temporários continuam secos

> Charcos em Odemira estão secos em março 2018

 

Normalmente os Charcos Temporários começam a encher com o início das chuvas de outono, atingem a sua capacidade máxima de enchimento no inverno, a água evapora-se gradualmente durante a primavera e secam no verão, pois são típicos de regiões com clima mediterrânico onde, geralmente, os invernos são frios e chuvosos, e os verões são quentes e secos.

Esta dinâmica é uma das principais caracteristicas que define o habitat 3170: Charcos Temporários Mediterrênicos, juntamente com as comunidades de plantas que estão perfeitamente adaptadas à alternância anual entre a fase inundada e a fase seca e que formam comunidades de vegetação organizadas por cinturas com algumas espécies de plantas raras.

Existem vários grupos faunísticos em perfeita harmonia com a dinâmica espacio-temporal deste habitat, como os crustáceos grandes branquiópodes, que estão completamente dependentes deste dinamismo. A precipitação média anual é, por isso, a força motriz da funcionalidade da biodiversidade nos Charcos Temporários Mediterrânicos.

Porém, desde o início do Projeto LIFE Charcos que se tem verificado várias situações irregulares na frequência e intensidade de precipitação dentro do SIC da Costa Sudoeste. Os registos indicam que só o ano hidrológico de 2014/15 foi normal dentro da área de intervenção deste projeto, quando comparado com a média do período de referência (1971-2000).

Também se verificou assimetrias ao longo dos 120km de extensão da área de intervenção sendo que os charcos do concelho de Odemira, mais a norte, têm recebido menos chuva do que os charcos no concelho de Vila do Bispo, no limite sul do território. Evidência disto é o facto de os charcos de Odemira ainda estarem secos no final deste inverno.

Por outro lado, nos charcos de Odemira, onde existe uma forte pressão para alterar o uso do solo, com práticas agrícolas mais intensivas e industrializadas há um risco acrescido. Assim, as alterações climáticas não estão só a influenciar negativamente o ciclo ecológico dos charcos de Odemira mas estão também a dificultar a correta identificação da presença do habitat na sua época normal. Consequentemente, o facto de os charcos não terem água durante o inverno ou primavera pode levar a que alguns proprietários ou gestores de terrenos menos sensibilizados para esta questão, considerem que os charcos não existem no terreno e podem acabar por destruí-los.


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