"Charcos Temporários: um habitat natural a proteger!"

Quem vive nos charcos temporários?

> Os resultados obtidos põem em evidência a importância dos charcos, não só pela elevada riqueza específica, como também, pela ocorrência de espécies únicas e ameaçadas.

 

A equipa do Projeto LIFE Charcos compilou toda a informação ecológica, atual e histórica, sobre os Charcos Temporários Mediterrânicos, estabelecendo assim a situação de referência deste habitat no Sítio de Importância Comunitária da Costa Sudoeste de Portugal.

Para realizar esta tarefa, os charcos foram visitados regularmente e efetuou-se a avaliação qualitativa e quantitativa da biodiversidade presente, nomeadamente, plantas, anfíbios, micromamíferos, crustáceos grandes branquiópodes, entre outros.

Como resultado, foram identificadas 248 espécies de plantas, sendo que em cada charco foram identificadas entre 13 e 72 espécies de plantas. De realçar a ocorrência de 11 espécies de plantas com estatuto de proteção ou com distribuição restrita, nas quais se destaca a Caropsis verticilato-inundata, considerada como prioritária na Diretiva Habitats.

Caropsis verticilato-inundata - Fotografia de Carla Pinto Cruz - UÉ

Nos anfíbios, das 13 espécies que ocorrem nos charcos, as mais detetadas foram: sapo-de‐unha‐negra, salamandra‐de‐costelas‐salientes, rela-magrebina, sapinho‐ de‐verrugas‐verdes, rã‐de‐focinho‐pontiagudo e tritão‐marmoreado-pigmeu.

   Rã-de-focinho pontiagudo  (Discoglossus galganoi). 

Fotografia de Bruno H. Martins

           Sapinho-de-verrugas-verdes  (Pelodytes sp.).

Fotografias de Bruno H. Martins

Para os micromamíferos, designadamente o rato de Cabrera e o rato-de-água, os conjuntos de charcos mais importantes para estas espécies estão localizados na região de Vila Nova de Milfontes.

Foram ainda detetadas 17 espécies de morcegos, entre as quais algumas espécies criticamente ameaçadas, como o morcego–de-ferradura–mourisco que foi registado em, apenas, dois charcos.

No que se refere aos crustáceos grandes branquiópodes, os charcos albergam seis espécies, o que representa 50% das espécies que ocorrem em zonas húmidas temporárias de Portugal Continental. A presença do camarão-girino (Triops vicentinus), endémico do litoral algarvio, foi verificada em 13 charcos do concelho de Vila do Bispo.

  Triops vicentinus - fotografia de Liliana Barosa - LPN

De destacar ainda o Cyzicus grubei, espécie de camarão-concha endémica da Península Ibérica, que só foi registando em 3 charcos na freguesia de Sagres. Outra espécie muito rara de camarão-concha, a Maghrebestheria maroccana, foi registada num só charco na freguesia de Vila Nova de Milfontes. Os camarões-fada Branchipus cortesi, Tanymastix stagnalis e Chirocephalus diaphanus foram presenças também confirmadas nestes levantamentos.


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