> Os alunos do Jardim de Infância de S. Teotónio desfilaram pelas ruas para sensibilizar a população para a conservação dos charcos temporários
O Dia Mundial das Zonas Húmidas é celebrado a 2 de fevereiro. Esta efeméride evoca a criação da Convenção de Ramsar, ou seja, a Convenção sobre Zonas Húmidas de Importância Internacional, concluída em Ramsar no Irão em 1971. Refere-se à conservação e ao uso sustentável das zonas húmidas e visa promover a cooperação internacional e incentivar as ações nacionais no sentido de promover uma gestão racional e sustentável das zonas húmidas.

Para comemorar este dia, as crianças do Jardim de Infância de S. Teotónio, no concelho de Odemira, no ano de 2016, produziram cartazes de sensibilização para a importância da conservação dos charcos temporários mediterrânicos, que divulgaram e distribuíram pela população local, em forma de manifestação. Esta foi mais uma ação de sensibilização integrada no projeto LIFE Charcos.

Nesta manifestação de apoio à conservação dos charcos temporários, feita por alunos dos 3 aos 6 anos, foram vários os estabelecimentos de comércio local visitados onde se entregaram, um a um, os cartazes criados pelas crianças com o pedido de serem afixados nas montras. As crianças demonstravam entusiasmo e sentiam-se importantes ao divulgar os charcos temporários, habitat bem presente nesta região, mas desconhecido por muitos.

Pelas ruas de S. Teotónio as 3 turmas do Jardim de Infância gritaram “Salvem os Charcos” para sensibilizar os transeuntes, enquanto se distribuíram diversas brochuras do projeto LIFE Charcos. Desta forma conseguiram despertar a curiosidade por este tema entre os clientes das drogarias, talhos, mercearias, cafés, ou na loja dos correios desta vila do litoral alentejano. No percurso de regresso eram já várias as montras que expunham os cartazes desenhados pelos “manifestantes” de palmo e meio.

Outras escolas da região aderiram à celebração desta efeméride promovendo o debate entre alunos sobre “Zonas Húmidas para o nosso futuro - Modos de vida sustentáveis”, como tema sugerido pelo secretariado da Convenção de Ramsar para este ano.
O despertar de consciência para a preservação das zonas húmidas em geral e para os charcos temporários em particular é o objetivo da comemoração desta data simbólica. Os charcos temporários são zonas húmidas naturais de água doce, parada e temporária. Como todas as outras zonas húmidas, os charcos temporários produzem bens e serviços para o bem-estar humano.
Possuem um papel importante na manutenção dos ecossistemas ao apoiarem a interligação ecológica com outros habitats de água doce. Fornecem abrigo, alimentação e área de reprodução para muitos animais considerados raros e ameaçados, quer a nível europeu, quer a nível global. A diversidade de vida existente num charco temporário é muito elevada e geralmente superior à que se pode encontrar em outros meios aquáticos como, por exemplo, lagoas permanentes ou cursos de água.
Outras funções dos charcos temporários são o controlo de inundações; consoante o contexto geológico podem contribuir para a recarga dos aquíferos e purificação das águas subterrâneas; representam reservas de água doce superficial importantes para a vida selvagem, e a um nível global têm um papel ativo no sequestro de carbono. Acresce o valor paisagístico e cultural que adicionam ao Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina sendo eles um elemento diferenciador da paisagem bem como potenciam o turismo de natureza podendo contribuir para o desenvolvimento local sustentável. Constituem ainda uma fonte riquíssima de conhecimento científico.
Porém, à semelhança do desaparecimento da generalidade das zonas húmidas (desde 1900, mais de 64% das zonas húmidas desapareceram em todo o mundo), também os charcos temporários estão cada vez mais ameaçados devido à sua fragilidade ecológica e desconhecimento do seu valor natural (estima-se que cerca de metade dos charcos temporários existentes no litoral alentejano desapareceram nas últimas duas décadas).
No âmbito do Projeto LIFE Charcos, esta tendência de desaparecimento ou degradação pretende ser travada não só com ações concretas de conservação ou demostração de como se pode fazer mas também através da educação ambiental nas escolas. Educar as crianças e os jovens sobre as zonas húmidas e envolvê-los na proteção do ambiente proporciona-lhes a consciência, o conhecimento e as habilidades que eles precisam para se tornarem cidadãos ambientalmente alfabetizados, responsáveis e criativos. Através de atividades variadas, especialmente adaptadas, os alunos ganham o conhecimento e os valores necessários para repensar e mudar os atuais padrões de comportamento e ganhar uma boa compreensão das inter-relações entre bem-estar e conservação dos ecossistemas.
