"Charcos Temporários: um habitat natural a proteger!"

Hidrogeologia

Análise do contexto hidrológico/hidrogeológico das condições ecológicas dos charcos temporários:

O estado actual do conhecimento sobre a ecologia e biologia destes habitats encontra-se caracterizado de forma suficientemente aprofundada para se perceber que a evolução do hidroperíodo (regime de inundação), que é variável de ano para ano (início e duração) em função das condições climatéricas, é de extrema importância no controlo da diversidade e manutenção das comunidades de plantas e animais destes habitats. O hidroperíodo da maioria destes charcos, apesar de efémero, é superior ao que corresponderia à simples acumulação de água de chuva em depressões de terrenos pouco permeáveis, sendo prolongado pela conexão com as águas subterrâneas às quais se encontram hidraulicamente conectados.

Os charcos temporários da área de intervenção do projecto localizam-se em depósitos sedimentares recentes assentes sobre xistos e grauvaques de idade carbónica. Nestes casos, como as rochas cristalinas subjacentes são menos permeáveis do que os sedimentos onde ocorrem os charcos a maior parte da água infiltrada nas formações detríticas não se consegue infiltrar mais profundamente proporcionando a subida do nível freático, quer em depressões criando os charcos temporários, quer como cabeceiras de linhas de água que irradiam à volta das manchas dos sedimentos recentes.

Figura 1 – Modelo Conceptual do funcionamento hidrogeológico dos charcos temporários

A figura 1 ilustra, de forma muito simplificada, o funcionamento hidrogeológico descrito anteriormente. Na figura 2 apresentam-se duas fotografias aéreas, uma da zona do Mirouço (de cima) perto de Vila do Bispo e outra da zona do Malhão (de baixo) perto de Vila Nova de Milfontes, onde se podem observar charcos nas depressões dos depósitos sedimentares que se encontram assentes em xistos e grauvaques.


Figura 2 – Fotografia aérea da zona do Mirouço perto de Vila do Bispo, e da zona do Malhão perto de Vila Nova de Milfontes (Fotos de Pedro Veiga)

É interessante referir que alguns dos charcos se encontram identificados na cartografia 1:25000 dos Serviços Cartográficos do Exército (IgeoE). Este facto mostra desde logo que estas singularidades hidrogeológicas apresentam uma ocorrência persistente na paisagem, ao contrário do que sugere uma observação menos atenta. 

Verifica-se desta forma que as propriedades hidrogeológicas locais condicionam as condições de alimentação destes charcos e o seu hidroperíodo (período do ano em que se verifica a ocorrência de água nestas áreas). No entanto, para além deste aspecto quantitativo relacionado com o balanço hidrológico, existe igualmente um controlo hidroquímico (qualitativo) das águas superficiais de cada charco, uma vez que estes são, de acordo com as suas características individuais, ecossistemas com um grau de dependência variável de massas de águas subterrâneas superficiais às quais estão hidraulicamente conectados.  


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