"Charcos Temporários: um habitat natural a proteger!"

Anfíbios

> Sapinho-de-verrugas-verdes

Pelodytes sp.


É um sapo pequeno, que mede geralmente entre os 3,5 aos 4,5 cm de comprimento total, mas pode alcançar os 5cm. Tem a cabeça achatada com um focinho curto e arredondado. Tem os olhos grandes, proeminentes, com a pupila vertical e irís dourada, que apresenta manchas escuras na sua parte inferior.

Tem o tímpano pouco visível e as glândulas parótidas ausentes. Tem os membros anteriores relativamente compridos com 4 dedos alongados e os membros posteriores também são compridos com 5 dedos muito alongados sendo que as membranas interdigitais quase não se vêm ou estão mesmo ausentes. 

Possui uma prega glandular lateral que vai desde o olho até, sensivelmente, à zona de inserção do membro anterior.  Peculiares mesmo são as verrugas verde-azeitona um tanto alongadas que se destacam do dorso verde-claro, muitas vezes criando algumas fileiras ao longo do corpo.

Pelodytes sp.- Fotografia de Elisabete Rodrigues

Dimorfismo sexual

Os machos desta espécie possuem sacos vocais internos bem desenvolvidos e membros, dedos e cabeça proporcionalmente maiores do que as fêmeas. Estas alcançam, geralmente, tamanhos corporais superiores aos machos sendo que o peso oscila entre 4-12g para fêmeas e 3-6g para machos.

Os machos, embora um pouco mais pequenos, têm um coaxar forte constituído por duas notas: um som ascendente huah! seguido por um som descendente graaah que se repete duas ou mais vezes.

Cortesia de Milaram

Comportamento

De hábitos predominantemente crepusculares ou noturnos, a actividade anual desta espécie só se faz notar na estação reprodutora. Em geral, passa por um período de inatividade durante os meses mais quentes do verão, podendo também atravessar um período de repouso invernal nas regiões mais frias da sua área de distribuição.

Os locais preferidos são zonas abertas e ensolaradas em corpos de água baixa, naturais ou artificiais. Os machos coaxam metidos dentro de água e/ou próximo de tufos de vegetação.

Reprodução

Durante a época de reprodução, a qual vai desde o final do outono até ao final da primavera, com maior incidência durante o mês de Fevereiro, os machos desenvolvem calosidades nupciais negras nos membros anteriores, dedos internos e ventre, como ilustra a imagem seguinte. As calosidades nupciais servem para quando o macho se posiciona sobre a fêmea para fecundar os ovos (amplexo), este consiga manter a sua posição.

Calosidades nupciais do Pelodytes sp. - Fotografia de Vasco Flores Cruz em Anfíbios e Répteis de Portugal

Para se reproduzirem, os adultos utilizam os charcos temporários, zonas de remanso de pequenos ribeiros, lagos e, inclusivamente, lagoas costeiras, pois à semelhança do sapo-de-unha-negra (Pelobates cultripes), toleram bem águas salobras.

Os machos são os primeiros a chegar aos locais de reprodução, podendo cantar tanto nas imediações da água como à sua superfície ou mesmo submersos. O amplexo é inguinal e, normalmente, ocorre dentro de água.

As fêmeas depositam entre 1000 a 1600 ovos, em cordões que fixam a plantas aquáticas. A eclosão ocorre cerca de dez dias após a postura e a duração do período larvar pode oscilar entre dois a três meses e meio.

Ovos de Pelodytes sp.

Fotografia de Vasco Flores Cruz em Anfíbios e Répteis de Portugal

Girino de Pelodytes sp.

Fotografia de Vasco Flores Cruz em Anfíbios e Répteis de Portugal

Girino de Pelodytes sp. 

Fotografia de Vasco Flores Cruz em Anfíbios e Répteis de Portugal

Juvenil de Pelodytes sp.

Fotografia de Vasco Flores Cruz em Anfíbios e Répteis de Portugal

Juvenil de Pelodytes sp. 

Fotografia de Vasco Flores Cruz em Anfíbios e Répteis de Portugal

Adulto de Pelodytes sp.

Fotografia de Vasco Flores Cruz em Anfíbios e Répteis de Portugal

Alimentação

A alimentação dos adultos de Pelodytes sp. inclui pequenos insetos e outros invertebrados. As larvas alimentam-se de principalmente algas, detritos, fungos e restos de plantas aquáticas.

Entre os seus predadores incluem-se as aves de rapina noturnas, as cobras-de-água e, no caso das larvas, o tritão-marmorado. Como mecanismos de defesa, o sapinho-de-verrugas-verdes pode segregar um muco através da pele ou fugir para dentro de água e esconder-se no fundo.

Ocorre nas áreas abertas de charneca ou de campinas arvenses sobretudo em terrenos alagadiços, nas margens de charcos, pequenas albufeiras ou em remansos de riachos temporários. Também coloniza tanques, valas inundadas e outros ambientes marginais, tais como pedreiras abandonadas. Sendo uma espécie geotrópica aparece em poços, noras, minas e grutas e demais estruturas em profundidade.

Suspeita-se que nesta região do Sudoeste de Portugal os Pelodytes pertençam a uma linhagem genética distinta, ainda que não completamente clarificada (van de Vliet et al 2012). Até lá, de modo bastante disjunto, a espécie é dada como ocorrente também acima do rio Mira pela metade ocidental de Portugal.

A forma típica (P. punctatus) distribui-se na parte oriental de Espanha entrando pelo Sul de França acima.

Mathieu Denoël, Pedro Beja, Franco Andreone, Jaime Bosch, Claude Miaud, Miguel Tejedo, Miguel Lizana, Iñigo Martínez-Solano, Alfredo Salvador, Mario García-París, Ernesto Recuero Gil, Rafael Marquez, Marc Cheylan, Carmen Diaz Paniagua, Valentin Pérez-Mellado. 2009. Pelodytes punctatus. The IUCN Red List of Threatened Species 2009: e.T58056A11710052. http://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2009.RLTS.T58056A11710052.en. Downloaded on 05 December 2016.

A espécie afim P. ibericus distribui-se abaixo da linha do Tejo, em Portugal, na maior parte do Alentejo e do Algarve; em Espanha pela Extremadura e Andaluzia. Porém desconhece-se com exactidão onde ocorre a fronteira entre ambas as espécies.

Jaime Bosch, Miguel Tejedo, Miguel Lizana, Pedro Beja, Iñigo Martínez-Solano, Alfredo Salvador, Mario García-París, Ernesto Recuero Gil, Rafael Marquez, Carmen Diaz Paniagua, Valentin Pérez-Mellado. 2009. Pelodytes ibericus. The IUCN Red List of Threatened Species 2009: e.T58055A11724130. http://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2009.RLTS.T58055A11724130.en. Downloaded on 05 December 2016.

No Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal atribuíu-se a categoria de "Não avaliado" à(s) espécies(s) do género Pelodytes pelo facto do seu estatuto taxonómico não estar clarificado.

Porém, no caso do P. punctatus a sua classificação no IUCN é de Menos Preocupante com a tendêncial populacional em declínio.

Mathieu Denoël, Pedro Beja, Franco Andreone, Jaime Bosch, Claude Miaud, Miguel Tejedo, Miguel Lizana, Iñigo Martínez-Solano, Alfredo Salvador, Mario García-París, Ernesto Recuero Gil, Rafael Marquez, Marc Cheylan, Carmen Diaz Paniagua, Valentin Pérez-Mellado. 2009. Pelodytes punctatus. The IUCN Red List of Threatened Species 2009: e.T58056A11710052. http://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2009.RLTS.T58056A11710052.en. Downloaded on 05 December 2016.

A espécie P. ibericus também possui a classificação de Menos Preocupante apesar da sua tendência populacional estar estável.

Jaime Bosch, Miguel Tejedo, Miguel Lizana, Pedro Beja, Iñigo Martínez-Solano, Alfredo Salvador, Mario García-París, Ernesto Recuero Gil, Rafael Marquez, Carmen Diaz Paniagua, Valentin Pérez-Mellado. 2009. Pelodytes ibericus. The IUCN Red List of Threatened Species 2009: e.T58055A11724130. http://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2009.RLTS.T58055A11724130.en. Downloaded on 05 December 2016.

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