"Charcos Temporários: um habitat natural a proteger!"

Crustáceos - Grandes Branquiópodes

> Tanymastix stagnalis

Ordem: Anostraca - “camarão-fada”


Os "camarões-fada", por tradução do inglês "fairy-shrimp", são crustáceos de água doce temporária adaptados a condições muito concretas do meio aquático e com tolerâncias muito estritas a determinados fatores ambientais sendo que por isso são considerados bons indicadores ecológicos.

Diferenciam-se dos restantes Branquiópodes devido à ausência de carapaça. Este crustáceos de água doce temporária pode atingir um comprimento máximo de 1,5cm.

Os crustáceos da ordem Anostraca, possuem sexos separados mas com um claro dimorfismo sexual, ou seja, os machos e as fêmeas têm um aspeto diferente. Os machos têm o pénis retrátil e antenas desenvolvidas para agarrar a fêmea durante a cópula. As fêmeas têm antenas mais pequenas e possuem um pequeno ovissaco (saco de cistos) globular que raramente ultrapassa o 3º somito abdominal. Este saco de cistos é de cor avermelhada com protuberância central refringente (de dourado a azul metálico). É neste ovissaco que os ovos amadurecem e são armazenados até à sua libertação. A imagem seguinte mostra uma fêmea com o saco de cistos.

Fêmea de Tanymastix stagnalis

Estes crustáceos de água-doce vivem em charcos temporários com poucos ou nenhuns predadores. Uma caraterística muito interessante é que estes camarões-fada nadam livremente de barriga para cima pela massa de água.

A deslocação, a respiração e a alimentação são feitas em conjunto mediante o batimento dos toracópodes que retiram particulas da coluna de água, como por exemplo, fitoplancton, protozoários, detritos orgânicos ou até particulas de argila porque têm na sua composição alguma matéria orgânica que serve de alimento aos camarões-fada. Estes alimentos acumulam-se no canal alimentar e são empurrados para a boca com a ajuda dos primeiros toracópodes. a imagem seguinte mostra alguns pormenores da morfologia destes animais.


Ciclo de vida:

A fase activa do ciclo de vida desenrola-se na fase inicial de inundação do biótopo, prolongando-se, em condições óptimas, até perto dos 3 meses.  

Alimentação:

São filtradores porque nadam livremente na coluna de água "filtrando" o que encontram, nomeadamente fitoplancton, protozoários, detritos orgânicos ou até particulas de argila porque têm na sua composição alguma matéria orgânica que serve de alimento.

Reprodução:

A fecundação é interna. Antes de os libertar, as fêmeas armazenam os cistos no ovissaco. Os cistos têm a forma de lentilhas com o bordo aplanado; de cor castanho-avermelhada, são bem visíveis no ovissaco. O nº de cistos por postura está directamente relacionado com o tamanho da fêmea.

Charcos temporários dulçaquícolas, nomeadamente Charcos Temporários Mediterrânicos (Habitat Prioritário 3170 – Directiva 92/43/CEE).

Espécie paleártica. Em Portugal, registada no Minho, na bacia hidrográfica do Tejo, no Alto e Baixo Alentejo e no Algarve, nomeadamente na costa sudoeste desde Vila Nova de Milfontes até Vila do Bispo.

As ameaças à espécie estão directamente relacionadas com a perda ou degradação de habitat.

Até à data, não apresenta estatuto legal de protecção.


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