"Charcos Temporários: um habitat natural a proteger!"

Flora

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De um modo geral e para um observador pouco treinado, as espécies vegetais presentes nos Charcos Temporários Mediterrânicos não parecem ter grande importância, nem são muito vistosas. Mas, nada pode estar mais longe da verdade pois são numerosas, muito particulares e em alguns casos são espécies com um elevado valor de conservação.

Fotografias de Cristina Madeira Baião, José Pacheco, Nuno Pedroso, Vasco Flores Cruz e Carla Pinto Cruz.

Além disso, as plantas características dos charcos asseguram os micro‐habitats essenciais à sobrevivência de diversos animais, tais como os crustáceos macro‐invertebrados, anfíbios e répteis.

Fotografias de José Pacheco, Vasco Flores Cruz, Bruno H. Martins, Elisabete Rodrigues, Liliana Barosa, Nuno Pedroso, Paula Canha, Ricardo Pita, Francisco Amorim, Helena Santos e Ana Rainho

Os Charcos Temporários Mediterrânicos são colonizados por comunidades de plantas vasculares, que são na sua grande maioria pequenas plantas herbáceas. A peculiaridade das espécies características destes ecossistemas provém do seu grau de especialização, e dos diferentes mecanismos adaptativos que desenvolveram, para poderem tolerar e sobreviver a condições ecológicas extremas de secura e também de submersão. É precisamente esta dinâmica hidrológica, ou seja a existência de um período de encharcamento cíclico, que impede que as plantas não características dos charcos os colonizem. Por exemplo, previne o estabelecimento das espécies terrestres. Por sua vez, o período seco, impede o estabelecimento de plantas aquáticas que necessitam de água quase permanente.

As diferentes plantas podem agrupar-se pelas diferentes estratégias biológicas que apresentam de acordo com a altura do ano. As plantas aquáticas flutuantes, com as folhas e flores à superfície de água, dominam o charco no início da Primavera. As plantas anfíbias, começam o seu desenvolvimento vegetativo ainda submersas e florescem apenas quando a água começa a evaporar, persistindo até à chegada da fase seca. São frequentes ainda as pequenas plantas anuais que se reproduzem, a cada ano, através das suas sementes que aguardam dormentes no solo pela chegada de uma nova época primaveril.

Para além desta dinâmica temporal, também se observa uma zonação das comunidades vegetais ao longo do gradiente espacial do centro para a periferia dos charcos. Estas comunidades estão organizadas em faixas floristicamente homogéneas, segundo um gradiente de disponibilidade hídrica.

No sudoeste português, estão associadas aos Charcos Temporários Mediterrânicos espécies da flora com elevado valor de conservação. Como exemplos encontram-se espécies com estatuto de ameaçada como Pilularia minuta, (lista vermelha IUCN), quase ameaçada como Isoetes setaceum (lista vermelha IUCN) ou vulnerável como Caropsis verticillo-inundata (lista vermelha IUCN) e Hyacintoides vicentina (anexos II e IV da Directiva Habitats).

Pilularia minuta - Fotografia de Carla Pinto Cruz

Isoetes setaceum - Fotografia de Carla Pinto Cruz

Caropsis verticillo-inundata - Fotografia de Carla Pinto Cruz

 

Hyacintoides vicentina - Fotografia de Carla Pinto Cruz


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