"Charcos Temporários: um habitat natural a proteger!"

Crustáceos - Grandes Branquiópodes

> Cyzicus grubei

Ordem: Spinicaudata - “camarão-concha”


A ordem Spinicaudata apareceu à cerca de 400 milhões de anos e estão distribuidos em quase todo o planeta com excepção à Antárdita. Esta ordem está associada aos corpos de água doce e temporária com pouca profundidade e frequentemente lamacentos, ou seja, charcos temporários.

São organismos que têm o corpo coberto por duas valvas ovais e um pouco achatada. A imagem seguinte mostra a morfologia geral desta ordem de crustáceos e que no caso dos Charcos Temporários Mediterrânicos estão representados por duas espécies: o Cyzicus grubei e a Maghrebestheria maroccana.

No caso do Cyzicus grubei são de cor castanho-avermelhada cujo comprimento máximo das valvas é de 15mm e possuem sexos separados.


Imagem de um conjunto de Cyzicus grubei.

Fotografia de Elisabete Rodrigues | Sul Informação

 

Ciclo de vida:

A fase activa do ciclo de vida desenrola-se ao longo de toda a fase de inundação do biótopo, podendo durar 7-8 meses. Nas valvas podemos contabilizar a sua idade através das linhas de crescimento como ilustra a imagem seguinte:

Detalhe das linhas de crecimento da carapaça de Cyzicus grubei (Simon, 1886)


Alimentação:

São essencialmente detritívoros apesar de por vezes filtrarem algumas algas. Nas águas mais lamacentas podem ingerir particulas de argila para aproveitar a matéria orgânica absorvida por elas.

Reprodução:

A maturação sexual é atingida em cerca de 3 meses. A fecundação é interna. Durante a cópula, macho e fêmea unem-se ventralmente, ficando os corpos perpendiculares entre si. Antes de os libertar, a fêmea armazena os cistos (ovos resistentes à dessecação) num par de massas laminares fixadas ao 9º e 10º pares de toracópodes. O número de cistos por postura está directamente relacionado com o tamanho da fêmea.


Cistos (ovos) de Cyzicus grubei. Fotografia de Margarida Cristo


Juvenil de Cyzicus grubei. Fotografia de Margarida Cristo

Outras características:

Passam grande parte do tempo sobre o fundo. Resistem a baixas concentrações de oxigénio. 

 

Charcos temporários dulçaquícolas, nomeadamente Charcos Temporários Mediterrânicos (Habitat Prioritário 3170 – Directiva 92/43/CEE). Têm preferência por charcos relativamente pouco profundos e lamacentos, de longo hidroperíodo.

É um endemismo Ibero-balear, tendo sido registado nas bacias hidrográficas dos rios Douro, Tejo, Guadiana e Guadalquivir e numa única localidade da Ilha Minorca. Em Portugal foi registado nas faixas central e oriental do distrito de Beja e nos extremos sudoeste e sueste do Algarve.

As ameaças à espécie estão directamente relacionadas com a perda ou degradação do seu habitat. Até à data, não apresenta estatuto legal de protecção.


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