"Charcos Temporários: um habitat natural a proteger!"

Anfíbios

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Pelobates cultripes


São sapos relativamente grandes, com aparência robusta, que geralmente medem entre 5 a 8 cm, podendo chegar aos 10 cm. Têm a cabeça achatada com o focinho arredondado e olhos grandes, proeminentes e de "gato", ou seja, com a pupila vertical e íris prateada, dourada ou verde claro com pigmentação escura. As glândulas parótidas e os sacos vocais estão ausentes e, o tímpano é impercetível.

Pelobates cultripes enterrado - Fotografia de Vasco Flores Cruz em Anfíbios e Répteis de Portugal

Têm os membros posteriores com quatro dedos e os anteriores com cinco sendo que estes estão ligados pelas membranas interdigitais bem desenvolvidas. A grande curiosidade desta espécie está na origem do seu nome, a unha negra. Esta unha negra é um tubérculo metatarsiano nos membros anteriores que está muito desenvolvido, como se vê na imagem seguinte e, que ajuda o animal a escavar rapidamente o solo para se enterrar nele.

Unha negra do Pelobates cultripes - Fotografia de Vasco Flores Cruz em Anfíbios e Répteis de Portugal

A coloração dorsal tem um padrão de grandes manchas escuras e castanhas. Em contraste, o ventre é esbranquiçado ou amarelado.

Dimorfismo sexual

As fêmeas parecem alcançar um tamanho corporal superior aos machos.

Comportamento

É uma espécie de hábitos estritamente noturnos, passando o dia enterrado em buracos que escava com as fortes unhas negras dos membros anteriores. Nesta área geográfica da sua distribuição, mais a sul, a espécie está ativa todo o ano podendo fazer uma pausa estival nos meses de verão mais quentes.

Reprodução

O seu período de reprodução é fortemente dependente de condições climáticas, em especial da ocorrência de precipitação. Em geral, este período ocorre entre os meados do outono até à primavera. No entretanto, esta espécie mostra uma grande capacidade de ajustar a época de reprodução e duração da fase larvar à disponibilidade de água nos seus habitats aquáticos preferidos.

Para se reproduzir, estes sapos procuram os charcos temporários ou pequenas lagoas, geralmente em zonas com pouca vegetação, com pouca profundidade e fundos arenosos e onde não existam muitos predadores macro invertebrados aquáticos.

Os adultos chegam aos charcos depois do anoitecer e concentram-se aqui ao longo de toda a época de acasalamento (cerca de 35 a 45 dias). Geralmente os primeiros a chegar são os machos. Na época de acasalamento, o coaxar dos machos faz lembrar o cacarejo lento das galinhas. As fêmeas, que em geral chegam mais tarde a estes locais de reprodução, podem responder com sons semelhantes.

Cortesia de Versicolora

O amplexo é inguinal, podendo ocorrer dentro de água ou nas margens.

Amplexo de Pelobates cultripes - Fotografia de Vasco Flores Crus em Anfíbios e répteis de Portugal

As fêmeas depositam entre 1000 e 7000 ovos, dispostos desordenadamente num cordão gelatinoso grosso e comprido, que se fixa a plantas aquáticas ou cai no fundo do charco. A eclosão ocorre 7 a 15 dias após a postura, mas os girinos necessitam de três a quatro meses para completar totalmente o seu desenvolvimento.

Girino de Pelobates cultripes - Fotografia de Vasco Flores Crus em Anfíbios e répteis de Portugal

Detalhe da unha negra no girino de Pelobates cultripes - Fotografia de Vasco Flores Crus em Anfíbios e répteis de Portugal

Os indivíduos recém-metamorfoseados medem em geral cerca de 2 a 3,5 cm de comprimento cabeça-corpo, sendo dos anuros portugueses os que abandonam a água com maior tamanho. 

A maturidade sexual é atingida por volta dos 3 anos de idade e, normalmente, a sua longevidade é de cerca de 10 anos.

Alimentação

A sua alimentação consiste, essencialmente, em escaravelhos, lesmas, formigas, minhocas, gafanhotos, borboletas, mosquitos e larvas de insetos. Os girinos alimentam-se, principalmente, de restos vegetais, fungos e detritos.

Os seus principais predadores são as cobras-de-água, diversas aves e alguns mamíferos. Os girinos são consumidos por diversos animais, peixes, cobras-de-água, larvas de libélulas e escaravelhos aquáticos.

Em situação de perigo, podem enterrar-se rapidamente mediante movimentos laterais das patas traseiras (onde está a unha-negra), ou então inchar o corpo e emitir sons intensos.

Ocorre nas áreas abertas de charneca ou de campinas arvenses sobretudo em terrenos alagadiços, nas margens de charcos temporários e de pequenas albufeiras.

Também coloniza tanques, valas inundadas e outros ambientes marginais, tais como pedreiras abandonadas. 

É um sapo bastante comum nas regiões mediterrânicas abertas da Península Ibérica e do Sul de França. Encontra-se, principalmente, em locais de solo pouco compactado, que lhe permita enterrar-se sem dificuldade. Assim, ocupa manchas boscosas, montados abertos, pinhais, campinas, lezírias, pastagens, vinhedos, olivais, termos de cultivo, zonas pantanosas, areais e dunas.

Porém, segundo o IUCN, a tendência populacional está em declínio devido à elevada fragmentação.

 Beja, P., Bosch, J., Tejedo, M., Lizana, M., Martinez Solano, I., Salvador, A., García París, M., Recuero Gil, E., Pérez Mellado, V., Díaz-Paniagua, C., Cheylan, M., Márquez, R. & Geniez, P. 2009. Pelobates cultripes. (errata version published in 2016) The IUCN Red List of Threatened Species 2009: e.T58052A86242868. Downloaded on 09 December 2016.

É uma espécie muito vulnerável a atropelamento em estradas que interrompem as rotas de migração entre os habitats favoráveis. Por outro lado, a introdução de espécies exóticas como o lagostim-vermelho-do-Louisiana, Procambarus clarkii, pode afectar o seu sucesso reprodutor já que esta espécie selecciona, preferencialmente, habitats sem grandes predadores aquáticos, sendo a sua distribuição negativamente afectada pela sua presença (Atlas dos Anfíbios e Répteis de Portugal).

Esta espécie tem o estatuto de conservação de Quase Ameaçada, segundo a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN).


Beja, P., Bosch, J., Tejedo, M., Lizana, M., Martinez Solano, I., Salvador, A., García París, M., Recuero Gil, E., Pérez Mellado, V., Díaz-Paniagua, C., Cheylan, M., Márquez, R. & Geniez, P. 2009. Pelobates cultripes. (errata version published in 2016) The IUCN Red List of Threatened Species 2009: e.T58052A86242868. Downloaded on 09 December 2016.


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