"Charcos Temporários: um habitat natural a proteger!"

Anfíbios

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Triturus pygmaeus


O Tritão-marmorado-pigmeu (Triturus pygmaeus) só foi descrito como espécie em 2001 por García-París porque até então era considerado como uma sub-espécie do Tritão-marmorado (Triturus marmoratus). 

Em termos gerais, este tritão é de tamanho médio (entre 10 e 12 cm), com a cabeça deprimida, contornos arredondados e olhos proeminentes em posição lateral. As glândulas parótidas estão bem evidentes e o corpo é de secção redonda ou ligeiramente aplanado.

A cauda é muito achatada lateralmente, de igual tamanho ou ligeiramente maior do que o corpo. Os membros são bem desenvolvidos, com quatro dedos alongados nas patas anteriores e cinco nas posteriores.

A pele é granulada e o dorso de coloração esverdeada com manchas escuras de tamanho e distribuição variáveis. Apresenta pequenos pontos negros distribuídos mais ou menos regularmente no dorso mas o ventre é branco, creme ou cinza.

Dimorfismo sexual

As fêmeas são ligeiramente maiores do que os machos e, na época de acasalamento os machos desenvolvem uma crista dorsal bem desenvolvida e contínua que se estende até à cauda, cuja coloração alterna bandas estreitas de cor negra e de cor clara. Nesta altura, a cloaca dos machos torna-se muito proeminente.

Os machos apresentam uma lista longitudinal branca nos dois lados da cauda. As fêmeas têm tipicamente uma linha amarela ou alaranjada a meio do dorso, desde a cabeça até ao final da cauda.

Macho de Triturus pygmaeus - fotografia da LPN - Liga para a Protecção da Natureza

Comportamento

Este tritão tem hábitos terrestres mas durante a época de reprodução, os hábitos são aquáticos.  Evidencia movimentos ágeis dentro de água mas é lento e desajeitado em terra. A sua atividade é predominantemente noturna, embora se possa observar indivíduos de dia durante a fase aquática. Podem passar período de inatividade durante o inverno e alguns meses de verão quando as temperaturas são mais elevadas.

Reprodução

A época de reprodução é bastante variável dependendo das condições meteorológicas anuais e do dinamismo hídrico dos locais de reprodução. No Sudoeste de Portugal ocorre normalmente a partir das primeiras chuvas outonais. Se os locais de reprodução não retiverem água suficiente, o começo pode atrasar-se até Fevereiro ou Março com as chuvadas primaveris.

Os machos são os primeiros a chegar aos sítios de reprodução e o acasalamento ocorre dentro de água que segue o padrão comum aos restante tritões ibéricos. Alguns dias após o acasalamento, as fêmeas depositam entre 150 a 400 ovos, cada um depositado individualmente enrolado debaixo de uma folha larga de planta aquática.

Os locais de reprodução são, por norma, massas de água parada ou com correntes lentas e alguma vegetação. A eclosão das larvas ocorre alguns dias após a postura e a duração do período larval depende da temperatura da água e da disponibilidade de alimento.

É comum encontrar na região do Sudoeste juvenis já metamorfoseados na primavera. A longevidade desta espécie ultrapassa os 10 anos na natureza.

Alimentação

A alimentação do adultos é constituída por larvas de insetos aquáticos, minhocas, lesmas, caracóis e, ocasionalmente, larvas de anfíbios. As larvas deste tritão alimentam-se de pequenos insetos aquáticos e crustáceos de água-doce (ex. copépodes, cladóceras e camarões-fada).

Durante a fase terrestre, os adultos podem ser capturados por cobras e pequenos mamíferos carnívoros. Na fase aquática são presas de cobras-de-água, cegonhas, garças, e do lasgostim-vermelho-do-Lousiana.


Vive em locais muito diversos como montados e sobreirais, pinhais e eucaliptais, e pastagens arbustivas. Para se reproduzir usa charcos temporários, charcas para abeberamento do gado, poços profundos, fontes, tanques e pequenas represas agrícolas, preferindo os locais aquáticos bem conservados e com vegetação aquática abundante. 

É um endemismo ibérico distribuído na metade ocidental da Península Ibérica, com excepção da região leste e sudeste de Espanha. Em Portugal penetra em cunha para norte ao longo da costa portuguesa até Aveiro. Não obstante, mais para o interior, o limite setentrional somente se aproxima da linha transversal do rio Tejo.

Na região Sudoeste de Portugal é uma espécie com uma distribuição conhecida relativamente fragmentada, não se sabe com certeza se por deficiente esforço de amostragem ou por suspeita que os seus locais de reprodução tenham sido ameaçados pelo avanço da agricultura intensiva, que inclui a drenagem de charcos temporários. Outra ameaça importante é a predação por espécies introduzidas, como o lagostim-vermelho-do-Louisiana (Procambarus clarkii) e a perca-sol (Lepomis gibbosus).


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