"Charcos Temporários: um habitat natural a proteger!"

Crustáceos - Grandes Branquiópodes

> Branchipus cortesi

Ordem: Anostraca - “camarão-fada”


Os "camarões-fada", por tradução do inglês "fairy-shrimp", são crustáceos de água doce temporária adaptados a condições muito concretas do meio aquático e com tolerâncias muito estritas a determinados fatores ambientais sendo que por isso são considerados bons indicadores ecológicos.

Diferenciam-se dos restantes Branquiópodes devido à ausência de carapaça. Este crustáceos de água doce temporária pode atingir um comprimento máximo de 2,2cm.

Os crustáceos da ordem Anostraca, possuem sexos separados mas com um claro dimorfismo sexual, ou seja, os machos e as fêmeas têm um aspeto diferente. Os machos têm o pénis retrátil e antenas desenvolvidas para agarrar a fêmea durante a cópula. As fêmeas têm antenas mais pequenas e possuem um pequeno ovissaco (saco de cistos) na protuberância ventral, de cor muito escura, quase preta e com uma mancha central branca, limitado ao 1º somito abdominal. É neste ovissaco que os ovos amadurecem e são armazenados até à sua libertação. A imagem A mostram uma fêmea com o saco de cistos e a imagem B mostra um macho.

Imagem A - Fêmea de Branchipus cortesi. Fotografia de Liliana Barosa


Imagem B - Macho de Branchipus cortesi. Fotografia de Liliana Barosa

Estes crustáceos de água doce temporária vivem em charcos temporários com poucos ou nenhuns predadores. Uma caraterística muito interessante é que estes camarões-fada nadam livremente de boca para cima pela massa de água. A deslocação, a respiração e a alimentação são feitas em conjunto mediante o batimento dos toracópodes que retiram particulas da coluna de água, como por exemplo, fitoplancton, protozoários, detritos orgânicos ou até particulas de argila porque têm na sua composição alguma matéria orgânica que serve de alimento aos camarões-fada. Estes alimentos acumulam-se no canal alimentar e são empurados para a boca com a ajuda dos primeiros toracópodes. a imagem seguinte mostra alguns pormenores da morfologia destes animais.

Ciclo de vida:

A fase activa do ciclo de vida desenrola-se na fase inicial de inundação do biótopo, prolongando-se, em condições óptimas, até 4 meses.

Alimentação:

São filtradores porque nadam livremente na coluna de água "filtrando" o que encontram, nomeadamente fitoplancton, protozoários, detritos orgânicos ou até particulas de argila porque têm na sua composição alguma matéria orgânica que serve de alimento. 

Reprodução:

A fecundação é interna. Antes de libertar os ovos (cistos), as fêmeas armazenam os cistos no ovissaco até estes estarem maduros. O número de cistos por postura está directamente relacionado com o tamanho da fêmea.

Charcos temporários dulçaquícolas, nomeadamente Charcos Temporários Mediterrânicos (Habitat Prioritário 3170 – Directiva 92/43/CEE).

É um endemismo ibérico, tendo sido registada nas bacias hidrográficas dos rios Douro, Tejo, Guadiana e Guadalquivir. Em Portugal foi registado na costa sudoeste, desde Vila Nova de Milfontes até Vila do Bispo, na região central alentejana e algarvia e na zona do Parque Natural do Vale do Guadiana.

As ameaças à espécie estão directamente relacionadas com a perda ou degradação de habitat.

Até à data, não apresenta estatuto legal de protecção.


O seu browser está desatualizado!

Atualize o seu browser para ver o site correctamente. Atualizar agora

×