"Charcos Temporários: um habitat natural a proteger!"

Crustáceos - Grandes Branquiópodes

> Maghrebestheria maroccana

Ordem: Spinicaudata - “camarão-concha”


A ordem Spinicaudata apareceu à cerca de 400 milhões de anos e estão distribuidos em quase todo o planeta com excepção à Antárdita. Esta ordem está associada aos corpos de água doce e temporária com pouca profundidade e frequentemente lamacentos, ou seja, charcos temporários.

São organismos que têm o corpo coberto por duas valvas ovais e um pouco achatada. A imagem seguinte mostra a morfologia geral desta ordem de crustáceos e que no caso dos Charcos Temporários Mediterrânicos estão representados por duas espécies: o Cyzicus grubei e a Maghrebestheria maroccana.


No caso da Maghrebestheria maroccana são de cor acastanhada e o comprimento máximo das valvas é de 12mm. Possuem os sexos separados.

Maghrebestheria maroccana encontrada num charco temporário

perto de Vila Nova de Milfontes

Ciclo de vida:

A fase activa do ciclo de vida desenrola-se durante a fase de inundação do biótopo e pode durar 4-5 meses. Ao fim de 2 meses e meio do início do hidroperíodo, os indivíduos são já adultos. 

Alimentação:

São essencialmente detritívoros apesar de por vezes filtrarem algumas algas. Nas águas mais lamacentas podem ingerir particulas de argila para aproveitar a matéria orgânica absorvida por elas.

Reprodução:

A fecundação é interna. Durante a cópula, macho e fêmea unem-se ventralmente, ficando os corpos perpendiculares entre si. As fêmeas carregam os cistos num par de massas laminares fixadas aos 10º a 15º pares de toracópodes.

Charcos temporários dulçaquícolas, nomeadamente Charcos Temporários Mediterrânicos (Habitat Prioritário 3170 – Directiva 92/43/CEE). Tem preferência por charcos não muito grandes e relativamente pouco profundos, atapetados de vegetação rasteira, de águas límpidas e de baixa condutividade.

Marrocos e Península Ibérica, nomeadamente nas bacias hidrográficas do Douro e do Guadalquivir. Em Portugal foi registada em apenas 4 localidades do Alentejo, numa estreita faixa oblíqua (NE-SO).

No SIC da Costa Sudoeste é conhecida num único charco.

Como em Portugal a sua distribuição é muito restrita, deve tomar-se particular atenção a ameaças como a perda ou degradação do habitat.

Até à data, a espécie não apresenta estatuto legal de protecção.


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