"Charcos Temporários: um habitat natural a proteger!"

Crustáceos - Grandes Branquiópodes

> Geral

Os Grandes Branquiópodes (cujo nome significa “branquias nos pés”) característicos dos charcos temporários pertencem a uma classe de pequenos crustáceos e agrupam-se em cinco grandes categorias (Ordens), das quais três estão representadas em Portugal: Anostraca, Spinicaudata e Notostraca

Os Anostraca são os chamados camarões-fada, que têm a particularidade de nadarem de barriga para cima; os Spinicaudata são os camarões-concha, pois todo o corpo se encontra protegido por uma carapaça constituída por duas valvas, tal como as conchas das ameijoas (bivalves); os Notostraca são chamados de camarões-girinos pois têm uma carapaça muito grande que cobre apenas a parte anterior do corpo o que lhes confere um aspecto semelhante à dos girinos (larvas de rã e sapos).

Na área de intervenção do Projecto LIFE Charcos, os mais emblemáticos deste grande grupo são os camarões-girinos - Triops vicentinus (Notostraca), espécie endémica da região mais a sudoeste de Portugal continental. É importante relembrar que os Branquiópodes do género Triops se têm mantido nestes ecossistemas temporários desde antes do Jurássico (compreendido entre 199 milhões e 145 milhões de anos atrás, aproximadamente), a Era dos grandes dinossauros. Existem registos fósseis de animais deste grupo dessa Era geológica e de Eras geológicas posteriores. Estes Triops são também os que atingem maiores dimensões, podendo chegar aos 7 cm de comprimento, sem os cercópodes.

No entanto, o grupo dos camarões-concha está representado por duas espécies muitíssimo interessantes de distribuição restrita e também muito resistentes: Cyzicus grubei Maghrebestheria maroccana. Também estes, porque têm uma distribuição muito restrita tal como os Triops vicentinus, estão ameaçados na medida em que dependem do habitat prioritário Charcos Temporários Mediterrânicos, onde existe uma alternância de uma fase de encharcamento no inverno com uma fase de seca no verão, para a sua existência. Este facto deve-se à necessidade de os seus cistos (ovos ou embriões resistentes) passarem por uma fase de secura para eclodirem assim que os charcos começam de novo a encher. De facto, estes cistos podem manter-se viáveis durante vários anos se houver períodos de seca prolongada.

Esta fase de vida latente demonstra um comportamento semelhante ao das sementes que se podem guardar para serem semeadas quando o agricultor o desejar. É este facto que tem permitido a estas espécies de Grandes Branquiópodes manterem uma resistência e permanência no tempo, que é necessário preservar, o que só se consegue se conservarmos os Charcos Temporários Mediterrânicos.

Fotografia de Margarida Cristo, onde é possível observar vários exemplares de camarões-concha e camarões-girino secos, na fase terrestre dos Charcos Temporários Mediterrânicos

No grupo dos camarões-fada, que inclui para Portugal continental as espécies Branchipus cortesi, Branchipus schaefferi, Chirocephalus diaphanus, Streptocephalus torvicornis bucheti, Tanymastigites lusitanica Tanymastix stagnalis, algumas apresentam uma característica muito interessante: têm ciclos de vida muito rápidos, isto é, desde que eclodem dos ovos, passando pela fase de crescimento, fase adulta e fase de reprodução, podem decorrer apenas 8 ou 15 dias. São, de facto, “super-rápidos”. Adaptaram-se assim a ecossistemas efémeros, como se estivessem a “aproveitar a água enquanto ela existe”.

 

Imagens de Triops vicentinus e Cyzicus grubei cedidas gentilmente por CCMAR, UALG


O seu browser está desatualizado!

Atualize o seu browser para ver o site correctamente. Atualizar agora

×