"Charcos Temporários: um habitat natural a proteger!"

Charcos intervencionados já apresentam melhor estado de conservação

> As intervenções efetuadas já começam a dar alguns sinais positivos

 

As intervenções efetuadas pela equipa do Projeto nos cerca de 20 Charcos Temporários da Costa Sudoeste de Portugal já começam a dar alguns sinais positivos e o estado de conservação destes charcos está a melhorar. Apesar das monitorizações estarem em fase de conclusão, os resultados preliminares indicam maior riqueza florística e um aumento do número de espécies de anfíbios e respetiva abundância. As ações de monitorização baseiam-se numa avaliação qualitativa e quantitativa dos vários grupos de seres vivos, em cada charco, antes e depois das intervenções no terreno.

Flora mais fascinante

Os dados ainda estão a ser processados para depois se verificar a evolução da componente da flora mas já é possível afirmar que, no global, muitos dos Charcos Temporários que sofreram intervenções de recuperação apresentam uma maior riqueza de plantas, incluindo de espécies típicas deste precioso habitat, em comparação com o estado de conservação antes da intervenção.

Este resultado já era esperado pois parte das intervenções foram dirigidas à reposição  da topografia dos charcos. Agora, os charcos intervencionados apresentam uma topografia mais adequada, com melhor distribuição e estruturação das cinturas de vegetação, o que permite que as espécies recolonizem o seu habitat natural, melhorando assim o seu estado de conservação.

Existem cerca de 248 espécies de plantas associadas a estes charcos sendo que 120 delas são bioindicadoras, ou seja, indicadoras biológicas do habitat 3170* da Diretiva Habitats. A diversidade de plantas em cada complexo de charcos pode variar entre 13 a 72 espécies consoante o seu estado de conservação.

 

Mais espécies de anfíbios com mais indivíduos

As monitorizações de anfíbios nos charcos intervencionados terminaram no fim de maio deste ano e foram detetadas 10 das 13 espécies conhecidas na Costa Sudoeste, nomeadamente, salamandra-de-costelas-salientes, salamandra-de-pintas-amarelas, tritão-pigmeu, rã-de-focinho-pontiagudo, sapo-comum, sapo-corredor, rã-verde, sapo-de-unha-negra, rela-meridional e o sapinho-de-verrugas-verdes-lusitânico, tendo sido as últimas três as espécies mais detetadas.

No geral, as ações de restauro e recuperação dos charcos tiveram um efeito positivo nas comunidades de anfíbios, tendo-se verificado não só um aumento do número de espécies, mas também da abundância quando comparado à analise antes das intervenções. Também houve um aumentou do número de espécies a reproduzirem-se dentro destes charcos intervencionados.

 

Morcegos e ratos ainda em análise

No caso dos morcegos, a monitorização foi efetuada através da colocação de gravadores especiais que registam as frequências sonoras que os morcegos emitem para se orientar sendo que se recolheu um elevado número de registos que ainda se encontram em análise. No que diz respeito aos micromamíferos, nomeadamente para as duas espécies amostradas, o rato-de-Cabrera e o rato-de-água, a sua frequência continua a ser relativamente escassa.

 

Crustáceos Grandes Branquiópodes estáveis

Apesar do regime pluvial deste último ano ter sido um pouco atípico, o que fez com que o hidroperíodo começasse mais tarde, em março em vez de novembro como é normal, as comunidades dos crustáceos de Grandes Braquiópodes encontram-se estáveis.

O único facto a assinalar é que foram encontrados exemplares adultos da espécies Tanymaxtix stagnalis num Charco Temporário do concelho de Vila do Bispo onde já se tinha encontrado cistos desta espécie no sedimento mas nunca antes se tinha visto exemplares adultos. Para além do Triops vicentinus, Chirocephalus diaphanus  e Branchipus cortesi que constituem a comunidade de Grandes Branquiópodes neste charco em particular, agora também é possível observar Tanymaxtix stagnalis.


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